texto: Francisco Sousa
News Farma | Atravessamos uma fase particularmente rica no que respeita à investigação em Oncologia, quais as grandes novidades que mais aguarda desta edição do ECC2015?
Dr. Miguel Barbosa - Nesta edição da ECC2015 espero uma abordagem ampla de temas, próprio de um verdadeiro congresso multidisciplinar em Oncologia.
Para os profissionais envolvidos no tratamento do cancro é um reunião agregadora que fornece uma visão alargada da Oncologia. Seguramente que haverá apresentações e interações para praticamente todos os campos do conhecimento científico na área da Oncologia.
NF | Dentro da sua atividade clínica, quais os temas que lhe despertam particular interesse?
MB - A Imunoterapia é um tema que será transversal a várias sessões. Tenho a expectativa que possam ser apresentados dados importantes no tratamento dos nossos doentes, principalmente nas áreas de conhecimento dos tumores gastro-intestinais, melanoma ou pulmão.
NF | No âmbito da imunoterapia, a que questões falta ainda dar resposta?
MB | Embora já se utilize a imunoterapia desde há vários anos no tratamento do cancro penso que os dados científicos mais recentes, a evolução do conhecimento sobre o papel do sistema imunológico e a própria eficácia dos tratamentos demonstram um grande avanço, recente, nesta área do conhecimento. Sob esse ponto de vista estamos efetivamente perante um novo paradigma no tratamento do cancro. Agora temos de aprofundar conhecimentos, aguardar os resultado de vários estudos clínicos em curso e perceber quais os doentes que mais poderão beneficiar com a imunoterapia.
NF | Face a estes avanços da imunoterapia, qual o lugar futuro das terapêuticas convencionais?
MB | Claramente a imunoterapia não se apresenta como uma solução para todos os doentes ou para todos os tipos de cancro. No passado visões simplistas do tratamento oncológico acabaram por se revelar incorrectas. A possibilidade de dispor de várias armas terapêuticas e utilizá-las no momento adequado traduz-se numa vantagem para o clínico e, em última análise, para o doente.
NF | Podemos dizer que estamos mais próximos de uma Oncologia Individualizada?
MB | Cada vez mais. Desde que esteja assegurado um ambiente social e económico apropriado para a investigação clínica e incorporação destes novos fármacos e atitudes terapêuticas (o que se poderá revelar problemático no sistema público de saúde, devido ao elevado custo) caminhamos cada vez mais para um tratamento oncológico eficaz e desenhado à medida das necessidades do doente.





