terça, 22 setembro 2015 15:43

A doença oncológica nos extremos etários

Em termos epidemiológicos, a grande parte da incidência da doença oncológica está concentrada nas faixas etárias mais avançadas. Pelo contrário, apenas uma pequena percentagem dos casos ocorre em idade pediátrica.

Mas, se nas idades mais avançadas a sobrevivência está mais comprometida, nas crianças, entre 70 a 80% dos casos são curáveis.

Nesta 18.ª edição do congresso da ECCO e 40.ª do congresso da ESMO, estas duas populações serão alvo de debate em várias sessões, tendo em conta o vazio de evidência que ainda existe quando em causa está a eleição da melhor estratégia terapêutica.

Em entrevista à Newsletter pré-congresso, o Prof. Doutor Riccardo Audisio, da University of Liverpool, Inglaterra, e o Prof. Doutor Stephan Bielack da Klinikum Stuttgart-Olgahospital, na Alemanha, apontaram algumas particularidades destes dois grupos de doentes, justificando a necessidade de aprofundar a investigação oncológica nestes dois extremos etários.

Segundo o Prof. Doutor Riccardo Audisio, 65% dos casos de cancro afetam pessoas de idade avançada e, de uma maneira geral, tendo em conta os dados do estudo EUROCARE-5, esta é uma população que está “dramaticamente subtratada”, o que se reflete nas curvas de sobrevivência.

O cirurgião oncológico considera que os doentes idosos não são todos iguais e que, apesar da elevada prevalência de comorbilidades crónicas, de limitações motoras e de demência em indivíduos com mais de 75 anos, esta é uma população heterogénea. “Encontramos doentes com 90 anos capazes de correr maratonas e outros, até com idades inferiores que têm incontinência, depressão, problemas respiratórios graves, doença cardiovascular, entre outras comorbilidades que condicionam o tratamento mais agressivo da doença oncológica”. Entre estes dois cenários, há um vasto grupo de perfis diferenciados que merecem uma avaliação geriátrica individual no sentido de determinar se deve ou não ser implementada terapêutica anti-neoplásica.

A decisão de tratar ou não um doente idoso está ainda dificultada pelo facto de não haver uma intervenção especificamente dirigida a esta população. “Temos sempre de fazer uma extrapolação das coortes mais jovens”, acrescentou.

Do lado da Pediatria, a heterogeneidade há também uma enorme variedade de doentes, “desde crianças muito jovens que ainda não aprenderam a falar até adolescentes que começam a desenvolver a sua autonomia”, adiantou o Prof. Doutor Stephan Bielack, hematologista pediátrico.

As crianças são alvo de formas raras e muitas vezes agressivas de cancro, mas com grandes possibilidades de cura, desde que sejam implementadas abordagens igualmente agressivas.
O problema, apontou o especialista, “é que a Oncologia Pediátrica será uma situação órfã enquanto não forem desenvolvidos tratamentos específicos para crianças”. Na maior parte dos casos, são aplicadas às crianças terapêuticas habitualmente utilizadas para tratar o cancro nos adultos, mais ou menos ajustadas, tendo em conta cada caso individual.

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