sábado, 26 setembro 2015 16:44

SIOPE apresenta plano estratégico

Dr. Gilles Vassal: “Crianças não são pequenos adultos”

Apesar de raro, o cancro nas crianças continua a ser um importante problema de saúde pública na Europa. Por ano, são diagnosticados 35 000 novos casos de cancro pediátrico, 15 000 dos quais em crianças com menos de 15 anos e 20 000 em jovens entre os 15 e os 24 anos.

“Um em cada 300 recém-nascidos vai desenvolver doença oncológica antes de chegar aos 20 anos, sendo que, em 80% dos casos, a doença vai ficar tratada em menos de cinco anos após o diagnóstico, graças aos atuais tratamentos multidisciplinares. Por esse motivo, existem, neste momento, 300.000 crianças e adolescentes sobreviventes ao cancro, dois terços delas a sofrerem de efeitos secundários tardios dos tratamentos, que condicionam gravemente a sua qualidade de vida”, afirmou o Dr. Gilles Vassal, presidente da SIOPE (European Society for Paediatric Oncology) e coordenador do ENCCA (European Network for Cancer Research in Children and Adolescents)

Numa conferência de imprensa realizada este sábado, dia 26 de setembro, na qual foi apresentado o plano estratégico da SIOPE para a abordagem do cancro nas crianças e adolescentes, o representante desta sociedade científica lembrou que apesar das elevadas taxas de sobrevivência, o cancro continua a ser a principal causa de morte por doença na população pediátrica com mais de um ano de idade, matando, todos os anos, cerca de 6000 crianças na Europa. Os tumores mais comuns nas idades pediátricas são as leucemias, os linfomas, os tumores do sistema nervoso central e os neuroblastomas. Surgem entre o nascimento e a adolescência sendo que, em 35% dos casos afetam crianças nos seus primeiros cinco anos de vida.

Face a esta realidade, “chegou a hora de definirmos um plano que garanta uma abordagem diferenciada do cancro nestas faixas etárias, assim como uma melhoria das taxas de cura e de qualidade da sobrevivência”, até porque, “não podemos continuar a tratar as crianças como pequenos adultos porque o cancro nas crianças é diferente do cancro nos adultos”, alertou o Dr. Gilles Vassal.

Para alcançar os objetivos deste plano estratégico proposto pela SIOPE, pela ENCCA e pela comunidade europeia de médicos pediatras e hemato-oncologistas, o Dr. Martin Schrappe, presidente-eleito da SIOPE, apontou sete medidas que estão já em curso:

  1. Introduzir tratamentos inovadores eficazes e seguros (novos fármacos e novas tecnologias) na prática clínica;
  2. Aplicar uma Medicina de precisão, com base numa classificação individual do risco, assim como uma avaliação biológica tanto do tumor como do próprio doente, que ajudem na tomada de decisões terapêuticas;

  3. Aumentar o conhecimento sobre a biologia do tumor e acelerar a translação do conhecimento científico para a prática clínica;

  4. Promover a igualdade entre os vários países europeus e padronizar os cuidados, a perícia e a investigação clínica;

  5. Dar resposta às necessidades específicas doa adolescentes e jovens adultos, promovendo a cooperação entre a Oncologia de adultos e a Oncologia Pediátrica;

  6. Melhorar a abordagem das consequências tardias das terapêuticas anti-neoplásicas, tais como os efeitos secundários a longo prazo, para melhor compreender o risco genético individual e para melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes ao cancro;

  7. Melhorar a compreensão das causas dos tumores pediátricos e apostar na prevenção sempre que há a possibilidade de prevenir