domingo, 27 setembro 2015 16:13

EUROCARE

Estudo revela variações geográficas de sobrevivência

No segundo dia do European Cancer Congress, 26 de setembro, foram apresentados os resultados do EUROCARE, um estudo que comparou as taxas de sobrevivência e os cuidados prestados aos doentes oncológicos nos vários países europeus. O estudo revela que, apesar de a maior parte dos doentes com tumores hematológicos sobreviver, pelo menos, cinco anos após o diagnóstico, existem grandes variações entre os diversos países europeus.

Segundo a Dr.ª Milena Sant, da Fondazione IRCCS Istituto Nazionale dei Tumori, em Milão, os novos dados do EUROCARE 5 incluem informação de doentes diagnosticados depois de 2000 em cada país europeu e revelam que a sobrevivência é geralmente baixa nos países de Leste e mais elevada nos países do Norte e da Europa Central, confirmando a tendência sublinhada nos estudos EUROCARE anteriores.

A média da sobrevivência relativa (ajustada a causas de morte não relacionadas com o cancro) aos cinco anos, standardizada pela idade, para o linfoma de Hodgkin foi a mais elevada dentro do grupo de tumores hematológicos, atingindo os 81%, com variações entre os 79,4% na Irlanda e Reino Unido, os 85% nos países do Norte da Europa e os 74,3% nos países de Leste.

Ainda dentro das doenças hemato-oncológicas, a leucemia mieloide crónica foi a que apresentou a pior média de sobrevivência aos cinco anos (53%). Contudo, as variações foram enormes, consoante a idade e a região. Nos países de Leste a sobrevivência aos cinco anos foi, em média, de 33,4%, sendo que nos restantes países europeus variou entre os 51 e os 59%. Desvios significativos foram observados na Suécia (69,7%), na Escócia (64,6%), na Áustria (48,2%), na Croácia (37,8%) e na Letónia (22,1%).

Dentro dos tumores que têm melhor prognóstico, a média europeia de sobrevivência aos cinco anos foi de 82% para o cancro da mama (com uma variação de 74% nos países de Leste e 85% nos do Norte), de 57% para o cancro do colon (49% nos países de Leste e 61% nos do Centro), de 56% para o cancro do recto (45% nos países de Leste e 60% nos da Europa Central), de 83% para o melanoma (74% nos países de Leste e 88% nos do Norte) e de 83% para o cancro da próstata (72% nos países de Leste e 88% na Europa Central).

Variações menos significativas foram encontradas nos tumores com pior prognóstico como o cancro do pulmão, do ovário, do estomago, do pâncreas, do esófago e do cérebro.

Segundo a Dr.ª Milena Sant, a sobrevivência está relacionada com vários fatores, desde logo o produto interno bruto (PIB), assim como o orçamento destinado à saúde. Países com um aumento recente destes dois indicadores apresentam, naturalmente, um aumento mais significativo das taxas de sobrevivência.

No entanto, outros fatores podem estar na origem destas diferenças regionais de sobrevivência, nomeadamente “variações biológicas e comportamentais associadas a algumas populações, assim como políticas de rastreio que permitem que, em alguns países, determinadas doenças oncológicas sejam detetadas mais precocemente e em estádios potencialmente mais tratáveis (cancro da mama, cancro colo-rectal, cancro da próstata, por exemplo)”. Todavia, acrescentou, “o estado socioeconómico, os estilos de vida e as diferenças entre o estado geral de saúde das populações podem, em parte, contribuir para tais discrepâncias”.